25 de fevereiro de 2012

Sobre como esse é o último post.

Quando eu criei um endereço qualquer aqui e postei algumas cartas amargas, tristes e expostas. Tudo foi fruto de uma liberdade de quem tinha perdido a vergonha pela primeira vez, de quem tinha criado orgulho e um pouco de estima. Foi um processo lento e por vezes até dolorido, me expressar foi uma coisa que começou com passos curtos e foi ganhando forma aos poucos. 
Os primeiros posts quase sempre eram na terceira pessoa, como se o fato da escrita carregar pronomes indefinidos escondesse, quem de fato, sentia o que os personagens levavam consigo. Com o tempo o 'eu' se tornou uma das palavras mais usadas no começo de qualquer coisa. Eu gostei disso. 
Em 2009, quando eu finalmente comecei a escrever em algum lugar que não as folhas amareladas do meu diário, eu tinha tanta vergonha que não me atrevia a sequer assinar as linhas. E entendam, eu não sou a salvação da literatura mundial, mas hoje eu sei que eu gosto disso, e digo sem prepotência alguma que sou boa nisso, e eu não me envergonho mais de mim mesma. 
Eu só não caibo mais aqui, o endereço eletrônico, como se fosse uma casa velha, simplesmente não me causa mais nenhuma sensação de conforto. Quando isso começou eu era tão absolutamente diferente, que não me vejo mais nesse lugar.


Obrigada por terem feito com que eu fosse lida, obrigada pelos comentários que me fizeram sentir bonita da forma mais profunda possível,  obrigada por deixarem com que eu chorasse pela ponta dos dedos o meu coração partido, a minha depressão medicada e os dias e noites cinzas dessa cidade dura. Obrigada a quem se tornou mais que um leitor, obrigada a quem escreve e me inspirou de formas tão bonitas e densas que tenho medo que explicar não seja o suficiente. 


Eu vejo vocês em um lugar diferente, onde eu admito a mim mesma que as coisas são relevantes, importantes e dignas de nota. 


Com amor, Rafaela.


1 relevaram:

Cami Rocha disse...

:O

bom, to indo logo atrás de vc.

;)